O futuro do RH: Estamos em crise!

Em meio a tantas indagações de cenários internos e externos, a área de Recursos Humanos passou a olhar para dentro e se questionar diante de todas as evoluções macroeconômicas, sociais e tecnológicas dos últimos 20 anos.

Parece que demorou, mas está acontecendo uma crise de identidade nas bases do Recursos Humanos. Uma crise existencial no ponto mais chave da questão existencial: a essência do RH. Os profissionais da área estão se dando conta de que, como está, não é possível sobreviver e acompanhar as necessidades das organizações.

Muito se ouve falar sobre “destruir o RH”, “desconstruir o RH”, ou até “explodir o RH” para os mais radicais. Talvez não seja tão radical assim. A morosidade em perceber que seus processos e programas estavam paralisados no tempo, ou melhor, ficaram literalmente no século passado, impactou o RH de forma irreversível e deixará sequelas. Por muitos anos, o RH não olhava para fora como deveria, nem para dentro como precisava. O modelo passou a viver por aparelhos e a morte cerebral chegou perto de ser decretada.

As consequências do não agir, podem ser, em determinadas situações, piores que agir errado. Foi o que aconteceu. O RH foi perdendo credibilidade dentro das organizações. Já não falava a língua do negócio há muito tempo, ainda que houvesse todo o esforço de alguns. Em vão, os profissionais mais ousados se deram conta de que precisavam mudar para sobreviver.

O que se vê hoje são muitas perguntas, dúvidas e receios de um lado. Em contrapartida, ainda existem aqueles que não se deram conta de que estão dentro dessa onda e se agarram nas mesmas defesas que se fizeram por anos, décadas, na verdade.

Se uma base que parecia tão sólida como o capitalismo, está sendo repensada e corre sérios riscos de sofrer ajustes significativos, onde estavam os profissionais de RH que não viram que gente, mais que economia, evolui e muda numa velocidade ainda maior. Algumas empresas já se encorajaram a colocar a cabeça para fora e enxergar o que anda acontecendo no mundo e o resultado disso foi uma autopercepção digna de consultório psiquiátrico.

A tal onda está aí, ou seria uma tsunami? Fato é que não tem volta: é nadar ou afundar. As possibilidades estão abertas e o caminho ainda não foi traçado. Cabe a cada um de nós mostrar nossas cartas e sugerir a próxima jogada. E o meu desejo é que a crise sirva para avaliar e resgatar a base ética das relações humanas. Que essa evolução coloque o homem de volta ao centro dos questionamentos. Espero que o compartilhamento e a colaboração supere a competição dentro das empresas. Que o coletivo tenha força sobre o individualismo. Que o bem comum seja um alvo claro e definido.

Talvez, uma boa dica para começar as discussões sobre esse assunto, nas organizações, seja lembrar da origem do RH: as Ciências Humanas. Uma boa base filosófica é, sem dúvida, um pontapé inicial seguro para conduzir os debates sobre esse assunto.

Que tenhamos sabedoria.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *