O DESAFIO DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL EM EMPRESAS TRADICIONAIS

Se pensarmos nos principais desafios enfrentados pelas organizações quando o assunto é transformação digital, é natural buscar respostas no senso comum:

  1. O custo de novas tecnologias é alto, a mão de obra necessária para a implementação dos projetos é cara
  2. Existem inúmeros problemas de infraestrutura
  3. A gestão de recursos por área é confusa muitas vezes, pois uma única solução pode impactar em mais de uma área

Esses argumentos frequentemente são trazidos para a mesa no primeiro momento, sendo estabelecidos como premissas nos escopos dos projetos, o que já é esperado, especialmente em tempos em que o cenário político apresenta instabilidade, gerando desconfiança e incerteza em relação aos rumos da economia.

Entretanto, antes de considerar qualquer um desses fatores como obstáculos, é necessário fazer algumas perguntas:

  1. Como a transformação digital impacta a sua indústria, o seu segmento e o seu negócio?
  2. O que de fato foi transformado ao longo dos últimos 5, 10 ou 15 anos?
  3. Quantos novos players surgiram no seu segmento ultimamente?
  4. E a relação com o seu cliente, como foi impactada por essas mudanças?

Olhar para o passado – e especialmente para os dados históricos – ainda é uma das melhores formas de se prever o futuro. Observar a velocidade com que as mudanças aconteceram, por exemplo, é essencial para prever o impacto que eventuais mudanças podem causar na estrutura do seu segmento e no modelo de negócios da sua organização, a curto e médio prazo. Fazer um benchmark também é importante para que se possa analisar como outras empresas estão se posicionando, entender qual tipo de vantagem buscam com suas posições, avaliar os trade-offs que o mercado impõe à elas, que tipo de cliente elegem como prioritário e como eles utilizam as tecnologias disponíveis para ter sucesso.

Outras perguntas válidas são: onde a organização pretende chegar, que tipo de objetivo se pretende alcançar e como a transformação digital pode influenciar, positiva e negativamente, nos objetivos propostos? A evolução é um aspecto fundamental da natureza e dos negócios. Os modelos de negócios das startups têm desafiado os modelos tradicionais justamente por terem estruturas mais flexíveis, serem menores e, por isso, conseguirem tomar decisões e mudar de direção mais rápido do que as tradicionais e, acima de tudo, terem como líderes pessoas que tem o digital no DNA. Os seus modelos são escaláveis, pensados para alcançar o maior número de clientes possível, através de um ecossistema de empresas que cooperam entre si para proporcionar a melhor experiência imaginável aos seus clientes, utilizando o pensamento digital e plataformas tecnológicas para integrar soluções e realizar entregas de alto valor. O foco delas é na diferenciação, não na competição. A transição do modelo B2B para o B4B tem alterado extraordinariamente a estrutura dos mercados.

Podemos concluir então que as empresas tem basicamente um triplo desafio:

  1. O primeiro desafio das empresas tradicionais é entender o contexto em que se encontram, pois na maioria dos casos elas não contam com especialistas para traçar um panorama que as permita de fato enxergar e, sobretudo, entender sua atual condição e o impacto desse tipo de mudança. Ou seja, em geral o gene digital não está em seu DNA.

 

  1. O segundo desafio se apresenta justamente em decorrência do primeiro. Como não sabem exatamente onde estão, tendem a tomar decisões baseadas em pouca informação, com foco no curto prazo, entregando uma solução que pode servir para o cliente hoje, mas será que servirá amanhã? Indo além: será que as funções que os colaboradores exercem hoje na sua organização existirão daqui 5 ou 10 anos? E os processos, serão os mesmos? Qual é o perfil do colaborador que sua empresa precisará no futuro? E o perfil dos líderes?

 

  1. O terceiro desafio tem relação com os gestores e tomadores de decisão. Os gestores tradicionais precisam entender que ser digital não significa ter especialistas em T.I. no quadro de funcionários. Não significa ter uma agência de publicidade que faz a gestão das redes sociais. Também não podem ser consideradas empresas com digital no DNA pelo simples fato de utilizarem tecnologia de ponta em algum de seus processos. Ser digital significa ter pensamento integrador, com foco na experiência do cliente, na escalabilidade, agilidade e fluidez no fluxo de informações em um mundo sem barreiras.

 

Lendo todo o anterior, concluímos então que além de uma mudança de mindset, é necessária uma mudança cultural que de fato promova e ao mesmo tempo transforme as diretrizes em valores dentro das companhias.

E sua empresa, está pronta para encarar os desafios da transformação digital?

 

Rodrigo Fuga
Overlap Brasil

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